2018 por Lia João
Após 8 edições é tempo de felicitar a Revista4Sénior pelo seu contributo na intervenção com os mais velhos. Atividades motoras, psicomotoras, lúdicas, sociais, cognitivas, criativas, musicais e artísticas foram propostas, experimentadas e partilhadas. Nas rubricas de entrevista, reportagem, resposta social, internacionalidade técnicos4énior foram apresentados projetos, ideias e pessoas que nos inspiraram. E nos artigos de saúde, investigação e de opinião, informações pertinentes que nos atualizaram.
Neste novo ano, mantêm-se os conteúdos mas ambiciona-se uma maior participação dos leitores. Aproveite este desafio, participe e impulsione também as pessoas mais velhas com quem tem o privilégio de trabalhar a dizerem o que pensam, o que querem (e o que não querem). Esse “dar voz” é regra de ouro. Envolver as pessoas permite que elas assumam responsabilidade nas atividades e que as tomem como delas, dando-lhes mais significado e encontrando nelas um propósito.

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Dar voz implica conversar e perguntar: Quais são as atividades, eventos, projetos, pessoas que o fazem rir, perder a noção do tempo, querer viver? Como mobilizar os seus talentos, paixões e valores para se sentir útil? O que nos pode ensinar? O que se arrependeria de não ter feito na sua vida? As respostas a estas questões, obviamente individuais, permitem-nos estar melhor preparados para atuar como intérpretes e facilitadores de prioridades.
Dar voz é incluir as pessoas nas decisões, promovendo a sua participação e a autonomia. Estudos que analisam a satisfação e qualidade de vida nos mais velhos, nomeadamente em centenários (www.pt100.pt), demonstram que não é a saúde o factor mais importante. A sensação de controlo sobre a vida e de autoeficácia fazem toda a diferença no envelhecimento bem sucedido. Cabe aos profissionais pensar e preparar oportunidades que permitam às pessoas perseguir objetivos pessoais, alcançar metas significativas para que se possam sentir satisfeitos consigo próprios, reconhecidos e valorizados pelos que os rodeiam. O respeito pela liberdade e decisão do outro também deve ser requisito. O dilema entre segurança e autonomia é desafiador. AtulGawande, autor do livro Being Mortal, diz-nos que safetyiswhatwewant for thosewelove; autonomyiswhatwewant for ourselves [segurança é o que queremos para aqueles que amamos; autonomia é o que queremos por nós mesmos]. De facto, por vezes escolhemos condições para proteger os outros que nunca admitiríamos para nós próprios. Não há respostas certas ou fáceis no que diz respeito a estão questão. Mas está ao nosso alcance dar mais de nós, ser mais criativos, mais sensitivos, empáticos. Isso fará diferença na vida das pessoas (e nas nossas...).
Lia João
Docente do Ensino Superior e Investigadora

